quarta-feira, 2 de julho de 2008
Vida após a morte
Aí está a versão da vida eterna, ou da reencarnação, sei lá, que mais me convenceu até hoje. A qualidade e intensidade do nosso amor continuando a dar corda nas rodas do mundo independente do "fim" de nós mesmos.
ps: esse post vai dedicado ao Matthias, de quem eu acabo de receber um email fantástico, na emoção do qual, depois de quase dois meses de seca, consegui decolar um pouquinho e escrever aqui. (;
sábado, 3 de maio de 2008
Dói!
quinta-feira, 1 de maio de 2008
É tudo junto ao mesmo tempo
Bia,
a minha experiência pessoal tem me dito que não dá para apressar em aprender logo a lição... faz parte a gente se sentir assim, meio que roubadas da nossa individualidade e egoísmo. E isso dói. Mas aí, no minuto seguinte, recebemos um super sorriso banguela e ficamos embriagadas de recompensamento. Acho que não existe uma linearidade - seremos super felizes de ser mães, ou super tristes de ter perdido as delícias da vida sem filhos. Tem um pouco de tudo nisso daí, a gente curte um pouco, lamenta um pouco, viaja quando dá, deixa com a vovó e toma um fôlego bom e volta para casa morrendo de saudades... é tudo junto ao mesmo tempo. Desisti de me sentir só bem sobre ser mãe, sabe? Assim como não dá para se sentir só feliz de sermos casadas com nossos maridos, ou 100% sobre nossa escolha profissional. O lance é ir passeando por essas situações sem se colar muito nem com as coisas boas, nem com as coisas ruins. E curtir o momento presente! Seja com ou sem nossas pequenas por perto! :D
Beijo grande para você, Bia!
domingo, 27 de abril de 2008
sábado, 5 de abril de 2008
Estamos dodói...
Que dó sem tamanho dessa pequenina criatura, tentando respirar, tentando dormir e tudo tão difícil, tão entupido! "Opa, quem foi que mudou minha vida assim de repente?", certamente ela pensaria se pensasse. "Eu ficava com sono, fechava os olhos e dormia, era só puxar o ar que ele entrava, não tinha esse nariz assado de tanto escorrer, essa tosse que a toda hora me acorda...". É, filha, vai se acostumando aos mistérios - ah, e às mudanças também. Esse aí é mole, daqui a um par de anos você entenderá direitinho; e a mudança é temporária, daqui a uns dias, com certeza, pulmãozinho e narizinho vão estar zero bala de novo. Complicado mesmo são os tantos outros inúmeros mistérios por aí, sem explicação nenhuma e trazendo algumas mudanças pra gente totalmente sem volta...
Bom, mas eu ia falar de outra coisa.
O diagnóstico de bronquite da Manú chegou a mim acompanhado. Junto com ele vieram, de surpresa, visitas ilustres: uma certa vergonha e uma considerável culpa. Fiquei impressionada com isso, de repente estava eu, além de preocupada com o problema em si, numa culpa, numa vergonha de ter a Manú doente. O que fiz? O que não fiz? Ok, culpa de mãe é o assunto mais velho desse blog e de toda a maternidade se duvidar. Mas ontem ela me mostrou os dentes de novo. E pasmei comparando: alguma vez em que fiquei doente senti alguma coisa parecida com culpa, vergonha por estar doente? Nunca, nem mesmo com o HPV, que só por poder envolver sexo já deixa muita gente travada. Doente costumo sentir desânimo, carência, tédio, chateação por não poder fazer alguma coisa que queira, vontade de ficar boa logo - às vezes até alívio por poder descansar um pouco. Mas nunca senti culpa ("Ó-meu-deus, não vou contar pra ninguém que estou gripada!"), nem percebi ninguém me acusando de nada ("ah, olha só ela, que horror, ela não se cuida direito..."). Se há quem fale isso, o tom normalmente é outro, é o de ajudar, de te mostrar que era bom você se cuidar um pouquinho mais, não exagerar com trabalho, farra (ou falta de) etc., não de acusação - pelo menos não desta acusação que tô tentando falar. Interessante este "mudo discurso social": por que cuidar de si importa tão menos? Pelas premissas (cuidar de si é natural do egoísmo humano; temos que ser impelidos é a cuidar dos outros)? Pelas conseqüências (se você não cuidar de você mesmo quem suportará as onseqüências é você, então o problema é seu, mas se não cuidar do filho, é ele, e isso é injusto)? Pode ser, pode ser.
E enquanto Manú se recupera, eu tento também me recuperar, varrendo mais esse fantasminha inesperado do meu horizonte. Fantasminha muito perigoso pra mim, diga-se, pois me ataca justamente na jugular de algo que duramente conquistei nos últimos tempos e que vem me amortecendo nesta passagem pro universo materno: ter encontrado, ou achar que encontrei, o meu jeitinho próprio de ser mãe da Manú. Um jeito que aposta na simplificação, na leveza, na despreocupação (com tantos minimozinhos detalhes, recomendações e regrinhas), na aceitação dos meus limites e dos dela; na crença que um banho por dia, creme contra assadura, nossa alegria e nosso esfrega-esfrega de todo dia já seriam o suficiente pra imunizá-la de tudo. Nem tudo, pelo visto. O segredo parece estar - mais uma vez, de novo e também aqui - no velho, bom e tão só eventualmente atingido equilíbrio. Nem tão chata nem tão borrachona. Nem tão neurótica nem tão let it be. Nem só micróbios nem só vitamina "s". Nem só casa nem tanta rua. Nem tantos casaquinhos nem tanta perna de fora. Nem a mãe que faz tudo errado nem a mãe que faz tudo certo. Sempre a mãe que tenta. (:
sábado, 15 de março de 2008
Humm... Interessante!
Manú até que é bem lindinha. De uns ângulos mais, outros menos. Uns dias mais, outros menos. As pessoas às vezes me falam isso e eu fico, sim, envaidecida. Mas o que me explode de alegria mesmo é quando vejo nela, desde já, uma garotinha interessante. Curiosa, simpática, sorridente, ávida pelas coisas, topa-tudo, pouco exigente. Se conseguir seguir por aí, não tenho dúvida do destino feliz da minha filhota. Mais: de sua colaboração pra que esse mundo seja um tantinho mais... interessante!
segunda-feira, 3 de março de 2008
Simples assim
segunda-feira, 25 de fevereiro de 2008
Olha que coisa mais linda a caminho do mar...
Mas, no meu arquivo emocional desses últimos dias, o que não me sai da cabeça mesmo é o encontro da Manú com o mar. Aquela coisinha minúscula branquela tocando seus mais minúsculos ainda pezinhos no colossal banhado do mar. Ele, que de vida sabe tanto, lambendo pela primeira vez as pegadas cambaleantes do que eu comecei entender de vida: minha pequenininha. Ela desconfiou, se assustou; ensaiou chorar. Ele fez que não era nada. Veio e voltou, espumando em branco de seu modo costumeiro. Ela foi se soltando, entregando aos poucos àquela banheira gigante suas pernocas, seus bracinhos, o corpinho inteiro. Desde os braços do pai, deixou-se ali por uns momentos. Não chegou a fazer farra, nem mesmo sorrir. Compenetrada, ficou só nessa primeira paquerinha com o mar - mar que, desconfio, lá em suas geleiras, se derreteu um pouquinho mais diante de tanta gostosura...
Segue abaixo o videozinho que a gente fez desse momento.
segunda-feira, 18 de fevereiro de 2008
quinta-feira, 31 de janeiro de 2008
Ruiva?!
Manú anda com um quê de ruiva. Nunca na vida poderia imaginar ter uma filha ruiva (tudo indica que o castanho prevalecerá, mas que por enquanto tem um arzinho de ruiva, tem, olhe só a foto aí).
Pensando nessa pequena excentricidade da mocinha, lembrei de uma coisa que passava muito pela minha cabeça na época da gravidez e agora, com a Manú aí, anda meio esquecida.
Nas cem milhões de vezes em que eu ficava imaginando quem era essa pessoinha que estava crescendo dentro de mim, me vinha o quanto eu não tinha o menor controle sobre isso. Com exceção de alguns extremos (um negão ou uma japa certamente dariam causa a um divórcio aqui em casa!), qualquer, absolutamente qualquer, "tipo" de pessoa poderia estar ali germinando em mim. Não só fisicamente, mas, principalmente e muito mais importante, em termos de personalidade, jeito de ser, gostos, talentos, fraquezas, problemas, até caráter. Claro que a criação da gente faria muitíssimo por ela; mas com certeza grande parte das suas tendências viria mesmo é de fábrica.
Tentava, então, concatenar este fato com outro, muito certo de acontecer também: o de que eu seria louca de amor por essa criatura "x", fosse quem fosse. Até se for chata, ranzinza, puxa-saco? Arrogante, fútil? Preconceituosa, vazia? E se detestar viajar, fazer amigos, ser mentirosa, egoísta? Não, não é possível que esse amor vá ser tão incondicional assim quanto dizem... Sim, é possível, não havia dúvida: minha filha - qualquer filha - seria um dos grandes amores da minha vida.
E aí me vinha isso de que um dos maiores "serviços" que essa criança já estava me fazendo era o de me abrir pra um amor e uma tolerância muito maior para com o gênero humano em geral; me ajudar a fazer de vez uma ligação direta entre humano = digno de amor, e ponto, sem mais as premissas dos qualitativos e medições.
Imagine só, essa menina antipática e estressadinha aí da porta ao lado, minha filha bem pode vir a ser igualzinha a ela. A que trabalha comigo e eu não vou com a cara de jeito nenhum. A chefe que eu não suportava. A idiota que me fechou no trânsito. A amiga que me alfineta me tachando sempre de louca de um jeito malicioso. A irresponsável. A ríspida. A ministra que rouba dinheiro público no cartão corporativo. Ainda que me ocorra "a Manú não vai ser assim, a gente vai tentar ensinar isso a ela, dar o exemplo daquilo", no fundo sei que mesmo as "melhores" educações podem dar muita zebra e que então qualquer dessas pessoas poderia muito bem sair da minha barriga.
E sendo minha filha, certamente eu iria amar e tolerar de toda maneira. Aliás, tirando os casos mais raros de séria negligência, mesmos as pessoas mais "erradas" do mundo têm/tiveram essa personagem central na vida, a mãe (ou quem quer que lhe tenha dado esse amor primeiro que nos estrutura); todas foram enxergadas, são enxergadas, por alguém(ns) para além de suas imperfeições e barbeiragens. Esse olhar diferente sobre elas existe em algum lugar. E saber disso faz com que automaticamente a gente as espreite um pouquinho desde esse ângulo mágico de suas mães, o ângulo de um amor maior.
Pode-se pensar que a mãe está tão egoicamente atada ao filho, que, pra não se desintegrar, cega-se à sua natureza, varrendo todo o lixo que vê bem pra baixo do tapete. Pode ser. Chuto, no entanto, uma hipótese mais "polianesca": quem sabe às mães (e pais - leia-se sempre), ao ser dada a hercúlea tarefa de tocar vidinhas pra frente, também não é dada, como instrumento para tanto, uma compreensão da natureza humana mais integral, rica e profunda do que a que rola aí na lógica rotulante e classificatória desse nosso mundinho. Uma compreensão que escancara as asas destes homens e mulheres pra que, debaixo, venha a caber qualquer pessoa: pretinhos, moreninhos, amarelinhos, branquelinhos... e ruivinhas! (=
quarta-feira, 23 de janeiro de 2008
sexta-feira, 18 de janeiro de 2008

terça-feira, 15 de janeiro de 2008
Viva João!
Carta de Hélio Pellegrino a Otto Lara Resende falando do nascimento da filha dele.
"Otto, meu querido amigo,
Nasceu Maria Clara, minha filha. Ela nasceu no dia 26 de novembro, tem alguns dias, portanto. Não lhes comuniquei nada, por enquanto, porque os fazia participantes silenciosos e solenes do Acontecimento. Há fatos – de preferência os mais irredutivelmente humildes – cuja verbalização é como que uma confissão de fraqueza, de isolamento e solidão. Sei que é assim mesmo, que nós, os homens, estamos por natureza impedidos do conhecimento sem palavras. Mas por sobrenatureza nos comunicamos, na Comunhão dos Santos, e esta é a razão por que os senti comigo no banquete da Efusão, do Mistério e da Humildade, quando do nascimento de minha filha. Aliás, o acontecimento é de tal maneira perfeito, exemplar, de tal maneira está pré-formado na sua antiguidade antiguíssima, que nada há que falar, assim como nada se fala quando a noite sucede o dia, quando as estações se sucedem ou quando os Mistérios da Vida e da Morte nos colhem de repente. Não estou comunicando a você o nascimento de minha filha. Que entre nós, sábios de amizade, se dispensem os cerimoniais humanos e se cedam ao signo e ao símbolo da própria Vida, que é calada. Para você, como minha filha é antiga! Como você a conheceu, sempre, em mim, na força de minhas contradições que buscavam expressão, na poesia de meus poemas, na minha crença em Jesus Cristo , na minha amizade, na minha tristeza, na minha vida! Ela era esperada, ela existia no meu Amor, nesse mesmo Amor que nos levantará da poeira dos tempos e nos suscitará a Unidade perene. O nascimento de uma filha é como o nascimento de um poema. E a poesia existiu anterior a nós mesmos, pairou sobre as águas, no princípio do mundo. Eis que conto para você uma velha história: nasceu minha filha. Ela se chama Maria Clara. Ela por um momento teve o mundo nas mãos, e os campos e os seres da terra se alimentaram de usa inocência. O pai, por um instante, vive seu coração nu, no berço, despido de tudo quanto é acessório, pequenino, fragilíssimo, ainda perfumado, sonolento e saudoso das searas eternas. Você, que tem minha amizade, será o padrinho de minha filha."
quarta-feira, 9 de janeiro de 2008
O tamanho da ajuda que você precisa
sábado, 5 de janeiro de 2008
"Áudio-cassetada" materna...
Família em peso vem visitar recém-nascido. Neném dormindo. Depois de darem uma olhadinha no fofucho, pai, vovôs, titias, priminhos, vão todos pra sala do apartamento. Menos a irmã da mãe, que fica com ela no quarto do bebê, à beira do berço, e lhe pergunta: "e aí, já voltou a rolar?". Na sala, família ouve a frase e se entreolha procurando quem perguntou. Antes de entenderem quem está falando e de onde, vem a resposta: "ainda não, tô com medo de arrebentar tudo aqui dentro, não tenho também muita vontade... e o pior é que ele não se conforma... quer agora, então, que eu libere o fiofó...". Família começa a entender o que se passa e a virar os pescoços vagarosamente na direção do fiofó-hunter. Este procura desesperadamente a babá eletrônica e não encontra a desgraçada, que foi posta no alto da estante, no meio dos livros, onde a mãe tinha acabado de descobrir pegar melhor o sinal. Conversa segue: "O fiofó é foda, ainda mais no pós-parto, esses homens são mesmo uns incompreensíveis!". "Pois é, mas não vai ter jeito, dia desses vou ter que liberar!". Pai-homem-insensível, petrificado na sala diante do olhar de nojo de todos (menos do sobrinhozinho que, ao invés, não pára de perguntar pro avô "vô-o-que-é-fiofó?vô-o-que-é-fiofó? vô-o-que-é-fiofó?"), tenta seu último recurso que é ligar a TV no volume máximo de qualquer coisa que esteja passando. Com exceção do esgoelamento da TV, um silêncio sepulcral se instala no ambiente. Mãe-prestes-a-dar e irmã-curiosa-demais atravessam a sala, não entendem aquele clima de sheet no ar, mas vão direto passar um café na cozinha...
quarta-feira, 2 de janeiro de 2008
Sumi!
terça-feira, 18 de dezembro de 2007
Que loucura é essa dessa pressão hoje em dia pro parto normal!
Êêê ser humano véio que com tanta facilidade entra na cela, passa o cadeado, some com ele e fica sem entender porque se sente tão mal depois...
Ouvi outro dia de uma amiga - no finalzinho de sua gravidez e admiravelmente livre quanto a isso - que, pesquisando, ela soube que antigamente, no comecinho da técnica da cesárea (lá por 1.800 e alguma coisa), a igreja católica logo se antecipou dizendo que fazer um parto desses era pecado, pois não se podia fugir, imaculadamente, às dores do parto.
Quem está grávida, acabou de estar ou se antena nesses assuntos, pense no discurso (expresso ou velado) que ronda por aí e me diga se qualquer semelhança é mesmo pura coincidência. Não parece ser. Pra mim é essa macabra propensão nossa de aprisionar (-se) que falei. Antes, institucionalizada, via igreja. Hoje, vaporizada por aí por todo canto.
Que há vantagens do parto normal sobre o cesáreo ninguém discorda. Mas que há também vantagens da cesárea sobre o parto normal pouca gente se lembra. E amaldiçoa-se quem, diante dessas vantagens ou por tantas outras razões, opta pela cesárea.
O caminho, acho, deveria ser bem outro. O que deveria ser apoiado, muito mais que um modo de parto ou outro, é, depois do colhimento de todas as informações, o mergulho honesto de cada uma dentro de si atrás, li-vre-men-te, da experiência que mais apetece ou que lhe é mais possível. Não é melhor mãe, nem melhor pessoa, aquela que sonha com um dolorosamente emocionado trabalho de parto de 10 horas do que a que, assim que sabe estar grávida, marca no calendário sua cesárea ao fim da 37ª semana. Isso é de um reducionismo burro e irritante. Mas veja aí se não é exatamente essa a mensagem subliminar que tem rolado solto.
Na minha experiência, eu queria o parto normal. Aliás, mais que o parto normal, eu sonhava mesmo era com o trabalho de parto. Fiz um curso muito legal durante a gravidez que focou nisso e ficava imaginando como seria bacana eu e o pai, só nós, na nossa casa, por algumas horas, bêbados na emoção de abrir-alas pra nossa filhota.
Não foi possível. Fui até o último segundo que o médico esperava e nada. Não saiu sinal de sangue, a bolsa não estourou, Manú não encaixou, o colo não abriu titica de nada. Não tive nem uma contraçãozinha sequer. Meu corpo simplesmente não funcionou.
Fiquei bastante frustrada sim, mas logo me veio forte que isso não poderia ter essa importância toda; o que mais interessava iria acontecer de qualquer jeito no final, eu iria conhecer minha filha. Assim, botei na cabeça que, só pelo fato de anteceder esse colossal momento da minha vida, seria a mais linda cesariana do mundo. Tudo bem que mesmo sentada na mesa da operação, já tomando a anestesia, cheguei a perguntar pro médico "doutor, não quer dar a última olhadinha pra ver se eu não dilatei um pouquinho?", deixando entrever o quanto ainda estava insatisfeita com aquela situação. Mas, juro, hoje o fato de ter tido uma cesárea é tão pequeno perto de tudo que tem rolado que tenho demorado uns segundos pra me sintonizar com a pergunta comum de por qual via foi o meu parto. Parto? Ah, fiz cesárea. Sinceramente, a mais linda cesárea. (;
sexta-feira, 14 de dezembro de 2007
De concreto...
A idéia inicial do blog era, mais do que desabafar minhas vãs viagens, a de colocar na roda os tabus da maternidade. Sim, tabu, pois se me espantei com alguma coisa desde que aquelas duas listrinhas apareceram pra mim é quantos tabus - caretices, prisões, não-ditos, mal-entendidos, talvez fossem melhores palavras - cercam a situação "mãe". Aliás, se não fosse de gosto tão duvidável, minha intenção era batizar o blog no estilo "save the mothers!", "free the mothers já!", algo assim.
Liberdade... Sem dúvida uma das coisas mais difícies - e, na mesma proporção, fundamental - da vida. De viver, de se oferecer, de se conviver. Com relação à maternidade, na minha opinião, mais difícil e mais fundamental ainda.
O fato é que nunca tinha, nesses meus 32 aninhos de bate-bate, experimentado nada que tivesse me colocado tanto na berlinda quanto ter virado mãe. Digo, na mira do julgamento de todo mundo; na mira, pior, do meu próprio e constante julgamento. Hasta la vista liberdade!
Que todo o mundo tem palpite sobre tudo do universo mãe, sabemos; mas que nesse palpite vem quase que inevitavelmente embutido um julgamento que tememos, poucos admitem. Mas vem. E isso é baixo-astral, pra se dizer o menos. Deprime.
Muitas razões, penso, pra isso. A primeira, mais óbvia e mais forte na minha opinião, é que talvez a maternidade (leia-se também paternidade e outros arranjos) seja, depois das experiências puramente orgânicas, a experiência mais democrática do planeta. Desde o começo dos tempos, em todo lugar em que há vida humana, até agora e por quanto durar a espécie, engravida-se, pari-se, cria-se. Nada mais natural, então, do que perto da totalidade das pessoas terem opinião sobre tudo o que envolve a questão. E daí ter idéias, concepções que, a não ser em espíritos mais evoluídos, vão ser a inevitável base para se julgar a primeira e todas as outras mães que se vir pela frente. A começar por si, o que pode acabar numa m. enorme.
Bom, não ia teorizar e já tô teorizando... Ô canseira.
O que eu queria mesmo era dar só uma introducãozinha pra começar a falar dos perrengues mais concretos que passei e venho passando e que, pelos tais tabus, acho muito pouco escarafunchados e, por isso, fantasmagóricos. Exorcizemos!
Tô com vontade de começar pela amamentação (ou não amamentação), que tanto me chateou. Mas no próximo post, pois agora... adivinha? Buá, buá, buá, buá...
ps: não tô conseguindo responder aos comentários, tão legais, que estão deixando... Vou tentar ver se aprendo melhor mexer nisso aqui, mas, por enquanto, saibam que tudo está sendo deglutido vorazmente por mim e a energia boa que vem disso prontamente sugada! Que maravilha ter vocês pra compartilhar!
quarta-feira, 12 de dezembro de 2007
Não é que vai passando mesmo?
sexta-feira, 7 de dezembro de 2007
Vai um sorriso aí?
Se Manú soubesse o poder desse sorrisinho que ela começou a disparar há uns dias... É só os cantinhos da boca dela insinuarem se esticar um pouquinho pros lados e ela derrete imediatamente quem estiver na frente, que se rende ali na hora, pactua com ela no ato. Fico pensando de onde vem isso, essa ternura enorme, essa esquentada no peito, que dá ao vermos, para nós, um sorriso de bebê apontado. Só pode ser coisa do bebê que ainda somos, e pra sempre seremos (não importa quanto verniz de adulto a vida já tenha nos pregado), dando sinal. Papai, mamãe, vovôs, vovó, tias, tios, transeuntes anônimos: é o bebê que não morre em ninguém que, fico imaginando, enlouquece com o sorriso do bebê presente de Manú. Esses bebêzinhos eternos que somos e que tudo, tudo, tudo o que querem se resume a serem tidos como especiais, únicos pra alguém, quem sabe; serem cuidados, aceitos e amados do jeitinho que vieram ao mundo, nem mais nem menos. Nós, essas pessoinhas que cresceram e infelizmente aprenderam rápido que pedir isso aos outros assim expressamente, direto, na lata, pode assustar e pegar mal - pior, pode render efeito contrário. Então o "melhor" é manobrar com todos os subterfúgios já inventados (e inventados exatamente pra isso), como ser bacana, bonito, inteligente (pra ficar só nos positivos), tentando dar corda no amor dos outros que tanta falta nos faz. Por isso, acho, sermos tão fortemente abduzidos por esse simples esboço de sorrisinho. Tão simples, tão sincero, tão imediato, tão aliviador: te viu e gostou do que viu. Sorriu.
(...)
Enquanto rezo todo dia pra Manú soltar vários desses risinhos pra sua babá - e assim ajudar a amarrá-la de vez aqui em casa (; -, tenho recebido alguns deles só pra mim! O primeiro, há uns dias atrás, foi assim de repente, sem ensaio que eu percebesse. Voei na hora pra pegar a máquina e, repentindo a gracinha que tinha feito com ela, consegui a proeza de filmar o segundo sorriso de Manú pra sua orgulhosa mamãe. Aí no vídeo ao lado (começa com um chorinho, mas no final tem o sorriso!).